sábado, 21 de junho de 2008


De trapos feita

Pela maré febril da vida,
Escrevi estas palavras
Somente para as riscar

Pronomes, verbos
Talvez alguns nomes;
Cessei por completo a sua existência

A tinta que fora
Escritos que não o são.
Terão um céu para estarem tão sós!

De espírito deposto na cidade,
Em todos os segundos já mortas

As frases aqui compostas
As demais e outras poucas
Retirando cada um do seu espaço
Pelo que significa ou representa,
Nenhuma encanta
Nem tão pouco me seduz

Seja o escritor que perdeu o brilho
Ou a escrita sem alma
Tudo se presente deslocado
Quando o poeta,
Não é poeta para ele próprio

3 comentários:

Eu disse...

Na minha opinião um poeta não precisa de se sentir poeta para o ser. Nem de escrever até.
Pode se sonhar como um escritor e não dizer a ninguém.

Leonor Branco disse...

Eu acho que considerando-se poeta ou não, desde que se pressinta que a caneta está deslocada de nós, o que escrevemos parece-nos forçado. Mesmo que outras pessoas gostem ou não do que foi escrito, continuo a sentir-me deslocada.

Å®t Øf £övë disse...

Leonor,
Escrever faz bem, mesmo que seja para riscar depois, porque ao fazê-lo libertados os pensamentos que estão guardados em nós.
Bjs.